A acareação de hoje, entre Pinto da Costa e Carolina Salgado, durou apenas seis minutos e só permitiu clarificar que um deles mentiu sobre alegadas conversas à mesa de um restaurante para combinar árbitros que interessariam ao Gondomar. Carolina Salgado disse que Pinto da Costa “mentiu” e o dirigente portista garantiu que o que a ex-companheira contou é “totalmente falso”. Ambos mantiveram, assim, as versões que apresentaram anteriormente, em depoimentos autónomos ao Tribunal de Gondomar, enquanto testemunhas do processo inicial do Apito Dourado. Em 13 de Março, Carolina Salgado disse ao Tribunal de Gondomar que presenciou várias conversas envolvendo Pinto da Costa, Valentim Loureiro e Pinto de Sousa sobre alegados favorecimentos ao Gondomar. As conversas teriam decorrido no restaurante Degrau Chá, na zona do Foco, um estabelecimento que pertence à família de Valentim Loureiro. Em 22 de Abril o dirigente azul-e-branco garantiu que não participou nos alegados repastos para combinar árbitros para os jogos do Gondomar. “Nem para apanhar o Bin Laden”, ironizou. Na rápida acareação de hoje, Carolina Salgado limitou-se a reiterar o que anteriormente dissera e a assegurar, a perguntas do juiz-presidente Carneiro da Silva, que Pinto da Costa “está a mentir”. O magistrado dirigiu-se em seguida a Pinto da Costa, esboçando um sorriso e dando por adquirido que este iria afirmar que “a senhora é que está a mentir”. “O sorriso diz tudo. É totalmente falso”, retorquiu o dirigente portista. Alongando-se um pouco mais do que Carolina Salgado, Pinto da Costa disse ser “fácil” comprovar que não foram combinados quaisquer encontros para discutir árbitros. “É fácil verificar. O meu telefone está sob escuta há muitos anos”, afirmou. “Esteve!”, retorquiu o juiz. “Esteve e está. E é fácil de verificar que nunca, em qualquer circunstância, foi combinado qualquer almoço com Valentim Loureiro e Pinto de Sousa”, observou. Pinto da Costa confirmou que às vezes ia ao Degrau Chá comer arroz de pato e admitiu que se lá tenha deslocado alguma vez com Carolina Salgado. “Com mais, com quem quer que fosse, não”, acrescentou, numa alusão a arguidos do processo Apito Dourado acusados de escolher árbitros para o Gondomar. Nas acareações, as testemunhas colocadas frente a frente não comunicam entre si, respondendo a perguntas directas do juiz. “Falam só comigo e não um com o outro”, advertiu o juiz-presidente a Carolina Salgado e a Pinto da Costa, mal entraram na sala. Apesar de se enfrentarem em vários processos, esta foi a primeira vez que o presidente do FC Porto e a sua ex-companheira estão frente a frente na barra judicial, ainda que ambos na condição de testemunhas. A acareação estava marcada para as 14 horas no Tribunal de Gondomar, no âmbito do julgamento do processo inicial do Apito Dourado, tendo começado às 14h34.







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